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Com as crianças no Qatar. Muito além do destino Viajar favorece o desenvolvimento da criança

Villaggio Mall

Viajar contribui para o desenvolvimento emocional e cerebral. Quem viaja sabe disso, mas uma pesquisa realizada sobre o assunto comprovou. Foi publicada no Journal of Commercial Research. Além da diversão, da imersão em outras línguas e culturas e de explorar novos lugares, viajar favorece o aprendizado e gera bem-estar. Ou seja, faz um bem danado!

Nada como fazer uma viagem diferente para testar nossas habilidades e emoções. Em outubro do ano passado, resolvemos conhecer Doha, no Qatar. Também fomos visitar um casal de amigos muito queridos que moravam lá, na época, e têm  um filho fofo quase da idade das minhas filhas, que estavam beirando os 6 anos. Passar horas na aeronave com crianças dessa idade é menos estressante, ainda mais com entretenimentos de bordo e um kit viagem  meninas fiquem quietas preparado por mim. He he he… A viagem toda foi uma experiência incrível para elas!

Terraço do Museu de Arte Islâmica

Foram 15 horas rumo ao inusitado. O choque cultural teve início antes da chegada ao destino. Durante o voo, olhares curiosos percorriam os assentos da fila do meio, repleta de homens e mulheres com vestimentas árabes. Antes de viajarmos, conversei com as crianças sobre a cultura local para contextualizá-las e também porque tive receio de ficarem com medo das pessoas. As roupas árabes poderiam assustá-las. Preferi evitar situações constrangedoras. Então, mostrei fotos e expliquei como as pessoas costumam se vestir por lá. Dei um enfoque maior no assunto burcas, por serem vestimentas que cobrem todo o corpo e rosto da mulher, inclusive os olhos, cobertos com uma rede para que possam enxergar. Para a nossa tranquilidade o papo funcionou. Apenas olharam com curiosidade e nos bombardearam com perguntas, mas foi só no início da viagem, se acostumaram logo.

Durante o voo, as crianças mexiam com aflição no entretenimento de bordo à procura de desenhos e filmes conhecidos e que fossem em português. Tiveram que assistir filmes em inglês. Amei! Gastamos uma grana com curso de inglês pra quê? Ahahah… A comida servida a bordo era bem diferente das que estão acostumadas. Mas comeram mesmo assim, com alguns improvisos de mãe, mas comeram. Rsrs…  Sair da zona de conforto é uma forma de nos permitirmos, de nos adaptarmos e nos tornarmos mais flexíveis. Com crianças não é diferente. Viajamos com nossas filhas desde quando tinham 3 meses e adoram conhecer lugares, viajar de avião, passear… mas já perceberam que vida de viajante não é perfeita, exige paciência: horas de voo, espera pelas refeições a bordo, filas em aeroportos e espera por bagagens fazem parte da rotina de quem viaja bastante.

De todas as viagens Doha foi singular. Uma experiência única! Para elas, a mais demorada e repleta de novidades. O contato com a cultura islâmica, tão distinta da nossa, impactou de forma surpreendente no comportamento das crianças. Foi uma viagem de apenas quatro dias, mas o suficiente para ficarem mais espontâneas, curiosas, compreensivas e sociáveis. Minha filha Betina não perguntava preços de brinquedos nas lojas, não dizia o seu nome e idade quando alguém perguntava, era tímida, envergonhada, mas como mudou. As duas perceberam também o quanto é importante aprender uma segunda língua, como o inglês, falado até no Qatar que tem o árabe como idioma oficial.

Pérola

Ao chegar em Doha o calor intenso do deserto assustou: “mamãe, não quero sair do aeroporto porque lá fora é muito quente”. Fazia 37º com sensação de 40º e um bafo quente de deixar o rosto vermelho. Impossível passear pela cidade a pé. Só descíamos do carro para tirar fotos ou para entrar em algum local com ar condicionado, geralmente shoppings, há muitos por lá. O calor é tão intenso que a Copa de 2022 realizada no Qatar não acontecerá entre os meses de junho e julho, como de costume, porque seria no verão de lá com temperaturas que chegam a 50ºC. Impossível! As competições acontecerão durante o inverno, entre novembro e dezembro.

Se você está programando uma viagem para Doha, sugiro que atente para as informações do índice de turismo que aconselha visitas e realização de atividades ao ar livre entre o meio de novembro e início de abril.  

Pôr do sol em Doha

Mas apesar do calor o pôr do sol é extasiante. A cidade é linda, imponente com prédios espetaculares, ruas largas e limpas, gramados verdes e bem cuidados. Escutávamos com frequência: “mamãe, papai, que cidade limpa! Olha lá, que carrão!” Carros como Porsche, Ferrari, BMW, Lamborghini e Mercedes-Benz são comuns pelas ruas da cidade. O país é um dos mais ricos do mundo, com receitas provenientes do petróleo e do gás natural.

Corniche

Visitamos o Museu de Arte Islâmica e para minha surpresa as crianças curtiram, mas não por muito tempo, o museu é grande. Gostaram mesmo do Baú de ouro. Disseram que era o baú do tesouro. Também dos tapetes produzidos para a elite do mundo islâmico. Disseram que eram tapetes do Aladin. Visitamos a escolinha do amiguinho Rick que mora lá, conhecemos um lindo shopping que lembra Veneza, Villaggio Mall, nos divertimos no parque de diversões Gondolania, vimos camelos pela primeira vez, tiramos fotos na Corniche – um calçadão a beira mar – onde vimos antigas embarcações de madeira, passeamos pela Pérola – região nova da cidade com áreas residenciais e comerciais – onde conhecemos o anfiteatro e vimos lanchas modernas.

Museu de Arte Islâmica

Anfiteatro na Pérola

Na Pérola também conhecemos uma mesquita, mas só do lado de fora porque mulher não pode entrar. Uou! Explicar isso para as crianças é que foi difícil: “não é justo, mamãe!” Também não acho justo, mas temos que respeitar as regras, disse.

Mesquita

No Qatar, mulheres não podem usar roupas coladas no corpo, nem deixar os joelhos e ombros a mostra. Tive que comprar vestidos e macacões longos e largos para usar por respeito as tradições. Casal não pode se beijar e se abraçar em público. Nos recomendaram não andar de mãos dadas também. Há praias na cidade mas biquinis não são permitidos, apenas em praias de hotéis. É proibido o consumo de bebida alcoólica e carne de porco, ao menos que o morador tenha uma licença para comprar em supermercados e consumir em casa. Estrangeiros podem consumir bebida alcoólica em alguns hotéis. O hit de lá é fumar shisha, cachimbo árabe. No Brasil, conhecemos como narguilé. Prática muito comum no Souq Waqif, mercado típico árabe, ao ar livre, onde se encontra de tudo um pouco: lojinhas de especiarias, doces, brinquedos, roupas, lenços e véus, souvenirs, sandálias, jóias, pérolas, loja de aves e restaurantes. Foi o nosso passeio predileto. As crianças ficaram encantadas com tantos pássaros coloridos e eu, com as pérolas. Uma pechincha! Ha ha ha…

Souq Waqif

Já se passaram meses, fizemos outras viagens, mas o Qatar marcou.

Ainda ouço comentários do tipo: “Nossa, mamãe, que calor! Aqui tá parecendo o Qatar.

“Pra onde a gente vai é mais longe que o Qatar?”

A cidade está suja, não parece o Qatar.”

Hoje, percebo que lidam com as diferenças com mais tolerância e respeito. A professora da Laís, uma das minhas filhas, disse que quando uma amiguinha de outra nacionalidade entrou para a turma da escola Laís foi muito receptiva com ela e logo a enturmou com os outros amiguinhos. Sei que com o tempo minhas filhas não se lembrarão de tudo que viram em Doha, ficarão na memória os momentos marcantes. Mas nas brincadeiras delas a boneca árabe que trouxemos de lá é amiga das bonecas que compramos no Brasil. Acho que isso faz com que se lembrem  da importância de se manter a paz e o respeito ao próximo, mesmo com tantas diferenças culturais, sociais, climáticas e econômicas. Acredito que as barreiras linguísticas e culturais dificultam a interação entre pessoas, mas são facilmente superadas quando há boa vontade. Aprendi isso na China, mas esse será um outro post.

Site recomendado: www.visitqatar.qa

Boneca Fulla árabe jantando com a boneca Barbie americana comprada no Brasil

 

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